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Mostrando postagens de Fevereiro, 2014

Porta de Ferro

Naquela tarde nada aconteceu além da imensa vontade de fazer mais coisas do que já faziam. “Precisamos trabalhar mais”, ele dizia, mas não como se fosse algo ruim, era apenas um fato. Forçados a se desprender de suas amarras e medos, será que daremos conta, será que sobreviveremos, perceberam o óbvio ao esticar o braço para alcançar a porta de ferro: por mais que se tente puxar, será impossível enquanto alguém estiver preso a sua cintura. Assim, como se os dias repletos de sonhos fossem uma engrenagem enferrujada que só se movimenta quando a porta é puxada, e puxá-la sem interferências já é difícil, imagine quando há alguém atrapalhando, aí é muito pior!

Bem, por se tratar apenas de uma porta, ela foi rapidamente baixada e trancada como manda o protocolo, puxada com força até o chão, porque é fácil executar as tarefas banais do dia a dia, os hojes amontoando-se um após o outro com todas as nossas tarefas banais, nada que preste nesse meio tempo, nada pelo que se orgulhar ao olhar pa…

Estalos

Apago-me nas várzeas e pergunto Vazio, recuo Opaco silêncio este que faz Quando os olhos se fecham As bocas se beijam Estampidos, prazeres viscerais Esquentam tardes luminosas Noites fogosas Encontros espaçados, expectativa O tempo corre em estalos Enquanto, de olhos fechados, Espero que sua boca Encontre a minha

(des)delírio

Andava com a leviana vontade de estremecer os topos das árvores, onde havia as folhas mais verdes e viçosas, mas antes era preciso descobrir o caminho das pedras por entre galhos e bugalhos que surgem sem aviso prévio dentro de nossas mentes, o arrepio quente na espinha que nos acomete quando estamos prestes a dar o próximo passo, o decisivo andar de cima de cabeça para baixo, o foco que rebusca e ofusca as narinas, e eu te calo com um sopro de vida, é cedo ainda, precisamos descansar o maquinário para sermos menos irritantes amanhã, já que amanhã será o cerão de ideias como todos os dias, refletimos conselhos, conflitos e medos em um movimento cítrico que queima estômagos, já pensou em se aposentar dessa vida e começar uma nova, como quem pendura um casaco e diz “agora não preciso mais de você” para então renascer com novos desejos, outros olhos para o mundo, olhos menos cegos de sonhos que libertam o coração e esvaiam os bolsos.