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Porta de Ferro

Naquela tarde nada aconteceu além da imensa vontade de fazer mais coisas do que já faziam. “Precisamos trabalhar mais”, ele dizia, mas não como se fosse algo ruim, era apenas um fato. Forçados a se desprender de suas amarras e medos, será que daremos conta, será que sobreviveremos, perceberam o óbvio ao esticar o braço para alcançar a porta de ferro: por mais que se tente puxar, será impossível enquanto alguém estiver preso a sua cintura. Assim, como se os dias repletos de sonhos fossem uma engrenagem enferrujada que só se movimenta quando a porta é puxada, e puxá-la sem interferências já é difícil, imagine quando há alguém atrapalhando, aí é muito pior!


Bem, por se tratar apenas de uma porta, ela foi rapidamente baixada e trancada como manda o protocolo, puxada com força até o chão, porque é fácil executar as tarefas banais do dia a dia, os hojes amontoando-se um após o outro com todas as nossas tarefas banais, nada que preste nesse meio tempo, nada pelo que se orgulhar ao olhar para trás, apenas uma repetição de banalidades, o que almoçamos, o que fizemos, como chegamos aqui, uma vida que se engole no esquecimento. Não! Estou aqui só de passagem, a verdade é que abri mão de um pedaço em prol do outro, mas não gostei da troca, me arrependi. Qual era o plano mesmo? Ah, era nunca me deixar engolir.

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