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Mostrando postagens de Janeiro, 2015

Sobre retirar-se

Certa vez, acreditei que estava construindo algo meu, profundamente meu, capaz de me fazer sentir na pele os desafios de existir. Nessa época eu era ingênua e acreditava em um mundo rodeado por pessoas boas e abertas como as que eu tinha conhecido e que me serviam de exemplo. Acreditei ainda que apenas a beleza do momento e a paixão seriam suficientes para que o trabalho acontecesse e fosse reconhecido.
Hoje admito: me enganei.
Quando aterrissei no sonho, ele não era meu, já estava lá, acontecendo. Por mais que eu tenha tentado, nunca deixaram que ele fosse meu, porque a porta estava trancada há muito tempo. Nos breves momentos em que acreditei estar sonhando junto, fui colocada no meu lugar: fora do sonho.
Veja bem, eu queria me enganar.
Queria um engano profundo e interminável. Uma venda que arrancasse meus olhos para que eu nunca pudesse perder a inocência. O sonho nunca foi meu e eu nada pude fazer para que fosse. Sou apenas uma expectadora que se iludiu desde o primeiro passo. U…